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Crise e promoção de saúde na Polícia Militar do Espírito Santo – #GEPeSPComenta

Em fevereiro de 2017, o Espírito Santo passou por uma “Crise da Segurança Pública”, causando a paralisação dos serviços públicos e privados no Estado. A situação iniciou quando familiares e amigos dos policiais militares se reuniram na frente aos 14 Batalhões da PMES e demais unidades especializadas e independentes, fechando os portões de acesso da instituição e pernoitando nesses locais. Esse acontecimento, intitulado pelas mídias locais como “Greve da Polícia Militar”, perdurou por 22 dias. O evento colocou, na pauta do debate público, velhas e novas questões, dentre elas, as condições de trabalho e o sofrimento emocional e psíquico dos profissionais de segurança pública do ES.

A parada do policiamento ostensivo da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) gerou, segundo os principais veículos midiáticos do estado, um caos para toda a sociedade capixaba. Muitas pessoas não puderam se deslocar para os seus postos de trabalho devido à falta de transporte público. Escolas e serviços de saúde fecharam. O sentimento de insegurança cresceu ainda mais com o aumento vertiginoso dos índices de homicídios. No quarto dia da “greve” mais de 40 pessoas haviam sido assassinadas.

De um lado a organização e suas responsabilidades constitucionais, de outro, os valores (como a família e o “espírito de grupo”), fomentados pela própria instituição, em tensão. Como sustentar fatos, aparentemente, tão paradoxais naquelas circunstâncias? Em um extremo, a necessidade de sair às ruas para o policiamento; no outro, ter que escolher o embate com os familiares para que fosse possível voltar às atividades previstas. Nesse ínterim, policiais continuavam deslocando-se aos quartéis e batalhões. Por lá permaneciam cerca de 10, 12, 15 horas ininterruptas e, muitas vezes, sem alimentação, em meio à pressão social de sair ao trabalho e, também, dos colegas que tentavam, de algum modo, apoiar o movimento.

A crise, que dividiu a Polícia Militar no estado do Espírito Santo, é uma faca de dois gumes: se de um lado, a população sofreu pela falta de segurança, por outro, policiais militares pagaram com a própria saúde mental. A paralisação de 22 dias significou para o trabalhador policial militar um intenso sofrimento psíquico e emocional: um gatilho de transtornos que estavam latentes, surtos psicóticos, choro convulsivo e fragmentação identitária. Vale ressaltar que os números de tentativas de suicídio – e suicídio – cresceram sem parar em comparação aos registros de anos anteriores.

Há, porém, algo que parece estar mudando após todos esses fatos: pode-se considerar que a mais nova notícia de que o Governo do ES irá investir na saúde da tropa é, inegavelmente, uma conquista!!! Os jornais do estado divulgaram, recentemente, notícias que mereceram destaque tanto no site quanto na página oficial do facebook da PMES: policiais militares passarão a contar com um pronto-socorro 24 horas; haverá UTI exclusiva no novo Hospital da Polícia Militar e um Programa de Saúde Mental será voltado ao atendimento dos trabalhadores. O Centro de Promoção à Saúde terá, a partir de janeiro de 2018, seis psiquiatras, três assistentes sociais, e quatro psicólogos contratados, temporariamente.  A promessa de um concurso público para a contratação de mais de 20 médicos, entre eles psiquiatras, também foi anunciada.

A contratação temporária de profissionais de saúde e a reestruturação do Hospital da Polícia Militar (HPM) não garantem o sucesso de ações em saúde mental e a efetiva prevenção ao suicídio. Contudo, iniciativas como essas são o imprescindível primeiro passo rumo à humanização do trabalho policial. Há, sem dúvidas, um longo caminho a ser percorrido.  O GEPeSP parabeniza a todos os envolvidos. O futuro mostrará o compromisso do Governo com a segurança pública, efetiva e de qualidade!

 

Fontes:

http://www.pm.es.gov.br/noticia/noticia.aspx?idNoticia=25532

https://www.facebook.com/pg/diretoriadesaudepmes/posts/