Capacitação em Prevenção e Pósvenção do Suicídio

Público Alvo:

A Capacitação é destinada aos profissionais de Saúde, Professores do Ensino Fundamental e do Ensino Médio e Profissionais de Intervenção em Emergências.  

Modalidade: Presencial

Carga Horária Total do Curso: 20 horas

Número máximo de Vagas oferecidas: 30

Investimento: R$200 reais.

Professores responsáveis:

Carmen Cortes Furtado
Psicóloga e Mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz, FIOCRUZ.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/5608580783759803
 

Dayse Miranda
Doutora em Ciência Política pela USP e Coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção
dayse.miranda@gepesp.org
Lattes: http://lattes.cnpq.br/4642382292915049

Marcela Reis
Psicóloga e doutoranda em Psicologia pela UFRJ.
marceladreis@gmail.com
Lattes: http://lattes.cnpq.br/8919486454664329

Lidiane Menezes
Psicóloga e Especialista em Saúde do Trabalho
lpraposo@yahoo.com.br
Lattes:  http://lattes.cnpq.br/9761000494430274

Contextualização  

O mais recente relatório da Organização Mundial da Saúde, intitulado “Preventing suicide: a global imperative” estima que oitocentas e quatro mil pessoas morreram por suicídio no ano de 2012. Essas cifras representam uma morte por suicídio “a cada 40 segundos” na população mundial (OMS, 2014). A taxa anual padronizada por idade seria de 11.4 por 100.000 habitantes. Aproximadamente 75% dos suicídios, entre os países que notificam esse evento, ocorreram em contextos culturais de médio-baixa renda. Países da América Latina, conhecidos pelas altíssimas cifras de mortalidade por homicídios, confirmam essa tendência de crescimento dos coeficientes de mortes por suicídio. Não se trata de taxas de mortes por suicídios e tentativas de suicídios, como as dos países do Leste Europeu e da América do Norte. Nas últimas três décadas, 205.990 pessoas morreram por suicídio (Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde - SIM/MS) no Brasil. A taxa oficial de mortalidade por suicídio era estimada em 3,3 por 100.000 para a população geral em 1980, chegando a 5,1 por 100.000 habitantes no ano de 2011 (SIM/ MS). A taxa aumentou em 56%. Outra tendência que merece destaque é o crescimento da taxa de suicídio de jovens (15 a 29 anos). Um estudo publicado pelo Mapa da Violência 2017, a partir de dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, revelou que, em 12 anos, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 – um aumento de quase 10% (ESCÓSSIA, F, 2017)[1]. O problema é ainda mais grave quando consideramos a população de 10 a 14 anos numa série histórica mais recente. No período de 1995 a 2015, ou seja, em 20 anos. A magnitude desse problema por si só justifica a realização de cursos que visem pensar o problema e as ações de prevenção e pósvenção. De acordo com a Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio (ABEPS), a Prevenção tem como objetivo:

  • Trazer alívio dos efeitos relacionados com o sofrimento e a perda.
  • Prevenir o aparecimento de reações adversas e complicações do luto.
  • Minimizar o risco de comportamento suicida nos enlutados por suicídio.
  • Promover resistência e enfrentamento em sobreviventes (Beautrais, 2004; Scavacini, 2011). (Site ABEPS. Disponível em: http://www.abeps.org.br/posvencao).

  A Pósvenção se refere à prevenção, ao luto e às atividades após a perda. A pósvenção visa atenuar o abalo da perda por suicídio e possibilita ainda a prevenção do sofrimento das próximas gerações (FUKUMITSU e KÓVACS, 2016). A ABEPS defende que ações focadas na posvenção são eficazes na ajuda ao processo de luto e na redução em curto prazo do sofrimento psíquico associado ao luto dos sobreviventes de suicídio. Objetivos A capacitação apresenta três objetivos chave. O primeiro é compartilhar conhecimentos básicos sobre o fenômeno do suicídio no Mundo e no Brasil. O segundo é refletir acerca dos fatores associados ao suicídio em grupos de risco. O terceiro objetivo é capacitar profissionais de diferentes áreas para lidar com a prevenção e pósvenção do suicídio numa perspectiva multidisciplinar. Esse curso busca oferecer ao público-alvo as noções básicas para o profissional identificar e abordar pessoas que sinalizem o risco suicida. A capacitação proposta será dedicada a profissionais que queiram aprender:

  • O que chamamos por comportamento suicida?
  • Quais são os fatores associados?
  • Quais são os grupos populacionais de maior vulnerabilidade?
  • Como identificar o risco de suicídio entre pessoas do seu ambiente profissional?
  • Como lidar e abordar com a pessoa em risco de cometer o suicídio? O que fazer? Para onde encaminhá-lo?
  • O que é a Prevenção do Suicídio? Quais são as estratégias para a prevenção do suicídio?
  • O que é a Pósvenção do Suicídio? Como ajudar os sobreviventes de suicídio?

Metodologia

A metodologia da capacitação em prevenção de suicídio envolve análise de casos e estratégias que integrem teoria e prática e focalizem o contexto do trabalho, de modo a estimular habilidades para intervir na realidade de sua prática profissional. As aulas expositivas e as oficinas estão organizadas em cinco módulos. O primeiro apresenta a magnitude do fenômeno do suicídio, fatores de Risco e de Proteção contra o suicídio. O segundo será dedicado às análises do suicídio nos grupos populacionais de maior vulnerabilidade. O terceiro módulo abordará a Prevenção, dando ênfase aos sinais, avisos, mitos, tentativas anteriores e ideações suicidas. O quarto será dedicado à Pósvenção do Suicídio. Discutiremos as ações eficazes na ajuda ao processo de luto e na redução em curto prazo do sofrimento psíquico associado ao luto dos sobreviventes de suicídio. O quinto módulo será dedicado à discussão e reflexão de casos clínicos e simulações de experiência de crise suicida. Esse trabalho será conduzido através de oficinas e rodas de conversas com os participantes e facilitadores do curso. O objetivo desse módulo é promover reflexões em torno dos instrumentos de prevenção adequados à prática profissional dos participantes.    

RESUMO DO PROGRAMA/CONTEÚDO

1º Módulo 2º Módulo 3º Módulo
  • Definições
  • Magnitude
  • Um Olhar Crítico sobre as Estatísticas de Suicídio
  • Fatores de Risco para o suicídio
  • Fatores de Proteção contra o suicídio
  • Suicídio de Idosos.
  • Suicídio entre Jovens e Adolescentes.
  • Suicídios na População Indígena.
  • Suicídio na população LGBT
  • Suicídios em grupos ocupacionais de risco.
  • A Prevenção: sinais, avisos, mitos, tentativas anteriores, ideações suicidas.
4º Módulo 5º Módulo  
  • Pósvencao:
  • Conceito
  • Ações Eficazes para amenizar o sofrimento emocional do luto dos sobreviventes do suicídio
  • Análise de Casos
  • Simulações
  • Roda de Conversa
 

 

Referências Bibliográficas Recomendadas

DURKHEIM, É. O Suicídio. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002.

BERTOLOTE, JM. O suicídio e sua prevenção. São Paulo: Editora Unesp, 2012.

____________, FLEISCHMANN, A. (2002). A global perspective in the epidemiology of suicide. Suicidology, 7(2), 6-8.

BOTEGA, N. J., PELLEGRINO, J. P., Santos Filho, J. dos,GIRARDELLO, G. de A., & Solano, J. R. (2015b). Entrevista realizada com Neury Botega. *Revista Brasileira de Psicologia*, 2(02), 65–74. Retrieved from http://wp.me/a4hcfF-Ob

______________, et al (2006). "Prevenção do comportamento suicida." Psico37.3:213-220.

_____________, N. J. Crise suicida: avaliação e manejo. Porto Alegre: Artmed, 2015. 302p.

BOXER, P.A.;CAROL, B.; NAOMI, S., (1995) “Suicide and Occupation: A Review  of the Literature.” Journal of Occupational and Environmental Medicine. 37:442–52.

FUKUMITSU, K.O. O psicoterapeuta diante do comportamento suicida. *RevistaPsicologia da USP*. São Paulo, v. 25, n. 3, 2014, 268-273. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0103 656420140003&lng=pt&nrm=iso) 

________________, Abilio, C. C. C., Lima, C. F. da S., Gennari, D. M., Pellegrino, J. P., & Pereira, T. L. (2015a). Posvenção: uma nova perspectiva para o suicídio Posvenção: uma nova perspectiva para o suicídio. *Revista Brasileira de Psicologia*, 2(02), 48–60. Retrieved from http://wp.me/a4hcfF-Ob 

________________, SOUSA, F. B. de. (2015). O Cuidado como fator de proteção do suicídio. *Revista Brasileira de Psicologia*, 2(02), 28–32. Retrieved from http://wp.me/a4hcfF-NX

MIRANDA, D.;  Por que os Policiais se matam? 1ª ed. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2016.

__________, D. Suicídio e risco ocupacional: o caso da polícia militar carioca. Rio de Janeiro: LAV-UERJ. Relatório da Pesquisa/CNPQ. 2012

MINAYO, MCS. (2005). Suicídio: violência auto-infligida. In: Secretaria de Vigilância em Saúde. Impacto da violência na saúde dos brasileiros. Brasília: Ministério da Saúde; p. 205-23.

SOARES, G, Miranda D. As vítimas ocultas do suicídio. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.

SOUZA, E. R., MINAYO, M. C., & MALAQUIAS, J. V. (2002). Suicide among young people in selected Brazilian State capitals Suicídio de jovens nas principais capitais do Brasil. Cad. Saúde Pública, 18(3), 673-683.  

___________, M. C., & Cavalcante, F. G. (2010). Suicídio entre pessoas idosas: revisão da literatura. Rev Saude Publica, 44(4), 750-7. 155  

VIOLANTI, J. (2007) Police Suicide: Epidemic in Blue. 2nd Edition. Charles C. Thomas. Publisher LTD.  

_________, VENA, JE, MARSHALLl Jr. (1986) Disease risk and mortality among police officers: new evidence and contributing factors. J Police Sci andAdministration 1986; 14:17-23     [1] A reportagem na íntegra pode ser acessada no site da BBC Brasil: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39672513