Comunicação como Ferramenta de Prevenção do Suicídio
Reflexões, dados e práticas

Público Alvo:

O Curso é destinado aos profissionais das áreas de Comunicação Social, Jornalismo, Psicologia, Relações Públicas, Publicitários, Professores de diferentes níveis, estudantes de diferentes níveis, profissionais de Segurança Pública, e outros.

Modalidade: Presencial

Carga Horária Total do Curso: 10 horas

Número máximo de Vagas oferecidas: 50

Investimento: R$150 reais.

Professores responsáveis: 

 

Pablo Nunes
Doutorando em Ciência Política pelo IESP-UERJ
pamourarj@gmail.com
Lattes: http://lattes.cnpq.br/2638388296461400

Fernanda da Escóssia
Doutoranda pela FGV
fernanda.daescossia@uol.com.br
Lattes: http://lattes.cnpq.br/7675133941468534

Contextualização:

A relação entre os meios de comunicação e o suicídio, em particular, é objeto de investigação há tempos, desde que a publicação de “Os sofrimentos do Jovem Werther”, escrita por Goethe, foi associada a uma série de suicídios de jovens europeus. Os suicídios teriam ocorrido devido à identificação que esses jovens sentiram com o personagem do romance, relação refutada por outros que acreditam que, de uma forma ou de outra, esses jovens se suicidariam de qualquer forma. Os primeiros estudos dedicados ao fenômeno do suicídio seguiam o entendimento defendido por Durkheim (2002): a notícia só tem o poder de influenciar alguém a cometer o suicídio em contextos muito específicos e individuais e, por isso, não há associação entre efeito imitação e impacto nas taxas de suicídio nacionais. Porém, a partir do trabalho sobre imitação de Tarde (1903), estudos na década de 1970 propuseram-se a investigar novamente a associação entre cobertura midiática e taxas de suicídio. Phillips (1974) nomeia tal relação entre mídia e suicídio de “efeito Werther”. O autor selecionou histórias de suicídio que foram publicadas na primeira página do New York Times e verificou se, no mês de publicação, a taxa mensal de suicídio no país alterava-se. Por essa análise, Phillips demonstrou mudança no comportamento das taxas nesses meses.

A controvérsia de certa maneira ainda perdura, dividindo opiniões entre os especialistas no assunto. Mas é raro encontrar quem negue o efeito imitação. Os objetos de investigação hoje estão mais voltados a determinar qual impacto da divulgação, qual o tipo de matéria e qual grupo é mais sensível a esse fenômeno. De toda forma, a cobertura midiática responsável de casos de suicídios continua sendo uma das ações prioritárias para planos de prevenção, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2000), sendo necessário sensibilizar e capacitar os profissionais da área de comunicação.

Mas o contexto atual é completamente diferente da década de 1970, principalmente quando se observa os padrões de consumo de notícia. Com o surgimento e popularização da internet, o cenário de produção e circulação de informação mudou drasticamente. Hoje, a principal forma de informação utilizada pelos brasileiros é a online, majoritariamente através de redes sociais (NEWMAN et al., 2017). Nesse novo contexto, usuário de redes sociais deixa de ser apenas consumidor de informações para também atuar como um produtor de “notícias”, utilizando o seu smartphone para propagar eventos e casos a que teve acesso. O compartilhamento em massa dessas informações, em um fluxo completamente caótico e intenso, representa um grande desafio para os que trabalham na prevenção do suicídio. Entender a forma pela qual essas informações circulam, seus consumidores, seus produtores e seus conteúdos continua sendo um grande desafio para os estudiosos da área.

Mas nem tudo é negativo nesse novo contexto. A produção de grandes volumes de informação (Big Data) também pode auxiliar a revelar padrões de comportamento online que, em última instância, podem ser utilizados na construção de ações de prevenção do suicídio. Ao se valer desses dados (que são produzidos e disponibilizados em velocidade muito maior do que as taxas de suicídio publicadas pelos principais organismos nacionais e internacionais com grandes defasagens de tempo) ações podem ser realizadas de maneira célere, auxiliando na prevenção do suicídio.

Objetivos

O curso tem três objetivos chave. O primeiro é compartilhar conhecimentos básicos sobre o fenômeno do suicídio no Mundo e no Brasil e sua relação com a comunicação. O segundo é refletir sobre as determinações da OMS (e de outros órgãos ligados a temática) a respeito de como reportar, falar e transmitir informações sobre o suicídio de forma responsável. O terceiro objetivo é ligado à prática: os participantes serão convidados a refletir sobre diversos materiais midiáticos trazidos como exemplo, e problematizar o papel da mídia na circulação de informações responsáveis sobre o suicídio, bem como a sua ação individual e/ou institucional pode fazer da comunicação uma ferramenta de prevenção em diferentes espaços.

Metodologia

O curso terá dois módulos divididos em dois dias, sendo cada qual composto por análises de dados, casos e teorias relacionados ao tema além de exercícios práticos. O primeiro módulo apresenta a magnitude do suicídio por meio de dados quantitativos, com recortes sociodemográficos. Também abordaremos os principais entendimentos teóricos sobre a relação entre comunicação e suicídio e as experiências internacionais de prevenção focando a mídia. Ainda no primeiro encontro, discutiremos a institucionalização da prevenção do suicídio no Mundo e no Brasil. Neste ponto, o participante será levado a pensar as experiências internacionais ou nacionais que tem conhecimento, e avalia-las do ponto de vista de sua execução e efetividade.

 O segundo módulo inicia apresentando algumas questões relativas ao contexto atual de consumo de noticias por meio da Internet, que transformou as comunicações de maneira ampla e intensa. Serão analisados alguns resultados de pesquisa que apontam para diversas questões relacionadas a cyberbullying, redes sociais, facilidade de acesso a informações sobre suicídio e a correlação de certas atividades online e as taxas de suicídio. Posteriormente, discutiremos o trabalho da Organização Mundial de Saúde na prevenção do suicídio a nível mundial, principalmente em relação aos seus manuais voltados a diferentes setores profissionais. Dar-se-á centralidade ao manual dedicado aos profissionais de mídia e comunicação por sua evidente ligação com o tema do curso. Cada uma das sugestões trazidas no manual será trabalhada e analisada em detalhes, contando para isso com diversos casos exemplares coletados da mídia. Será fomentado nos participantes a ideia de que cada um de nós pode cobrar dos veículos de mídia uma cobertura humanizada e responsável do suicídio. Por fim, os participantes serão estimulados a reavaliar os contextos em que estão inseridos (institucionais, comunitários, familiares, etc.) e as formas pela qual o suicídio é comunicado, discutido, mencionado.

 

RESUMO DAS ATIVIDADES

1º Encontro 2º Encontro
 

Módulos 1:

  • Conceitos
  • Teorias da comunicação
  • Magnitude do suicídio
  • Experiências internacionais de prevenção focadas na mídia
  • Institucionalização do suicídio no mundo e no Brasil
  • Atividade 1: análise de experiências internacionais e nacionais de prevenção; avaliação dessas experiências à luz das discussões realizadas anteriormente.
  • Aberto para perguntas e discussões
Módulo 2:

  • Internet e comunicação
  • Análise de pesquisas sobre internet e suicídio
  • OMS e a prevenção do suicídio
  • Manuais de prevenção
  • Guia de prevenção para profissionais da comunicação
  • Atividade 2: discussão de exemplos, reflexões sobre o contexto institucional em que está inserido; reflexões sobre sua ação individual.
  • Aberto para perguntas e discussões

 

Referências Bibliográficas

DURKHEIM, É. O Suicídio. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002.

NEWMAN, N. et al. Digital News Report 2017. Oxford: [s.n.]. Disponível em: <http://www.digitalnewsreport.org/>.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Prevenção Do Suicídio: Um Manual Para Profissionais da Mídia. Genebra: [s.n.]. Disponível em: <http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/67165/7/WHO_MNH_MBD_00.1_por.pdf>.

PHILLIPS, D. P. The Influence of Suggestion on Suicide: Substantive and Theoretical Implications of the Werther Effect. American Sociological Review, v. 39, n. 3, p. 365–390, 1974.