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Marcados por sequelas, PMs do Rio relatam rotina difícil na corporação

Duas pernas amputadas e a carreira militar radicalmente abreviada. Foi há quatro anos, mas o nível de detalhamento com que o policial reformado Alexsander Oliveira conta a sua história revela o quanto este fatídico dia de 2011 mudou sua vida. Uma granada jogada por um criminoso durante um confronto no Morro do Fallet, na região central do Rio, dilacerou uma das pernas do soldado. A outra teve que ser amputada depois de uma infecção.

Após acordar de um coma de onze dias, Alexsander, com 31 anos a época, recebeu a notícia de que não andaria mais. Tudo muito longe dos planos daquele monitor de produção de uma montadora de veículos que resolveu apostar no sonho de ser PM.

Alexsander estava há apenas um ano na corporação. Recém-formado, foi imediatamente alocado em uma UPP. Segundo ele, os tiroteios eram constantes, mas a esperança de ser transferido e trabalhar em sua cidade natal, Resende, no Sul Fluminense, fazia com que o policial insistisse na escolha. Atualmente, ele faz fisioterapia e luta pela independência com a ajuda de duas próteses. Apesar disso, os desafios são diários.

No caso dele, as sequelas não foram só físicas, mas também psicológicas. Problema não tão visível, mas tão grave quanto e que afeta outro contingente de PMs. É o caso de um policial que atua em uma UPP da Zona Norte do Rio e que preferiu não ser identificado. Após passar pelo sufoco de, durante um tiroteio, ver balas traçantes passarem a um palmo de sua cabeça, ele começou a desenvolver uma arritmia cardíaca.

O PM relata que via a morte de perto diariamente. Sem armamento adequado, se sentia inseguro. Agora está afastado do trabalho, mas já se preocupa com o dia do retorno. Essa é a mesma preocupação de uma outra policial, que também prefere não se identificar, que atuava em uma UPP na Zona Oeste da cidade.

Entrar na Polícia Militar sempre foi um sonho. No entanto, a possibilidade de atuar em uma cabine de segurança sem blindagem e sozinha, no auge de confrontos, a afetou psicologicamente, já que ela havia perdido um grande amigo de farda um mês antes.

Para agravar a situação, há pouco mais de um mês, a oficial foi a uma consulta de rotina no Setor Psiquiátrico do Hospital Central da PM, mas não foi atendida porque a ala está fechada.

Segundo a assessoria de comunicação, dois médicos estão de licença e dois pediram baixa da corporação. Há processos de licitação para convênio com uma clínica de atendimento ambulatorial, mas, por enquanto, os pacientes estão sendo encaminhados para hospitais públicos.

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