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Um a cada cinco policiais civis do Rio apresenta sofrimento emocional e psíquico.

Por Caio Brasil
Jornalista e pesquisador do GEPeSP.

Estudo do CLAVES da Fiocruz aponta que 21% da amostra pesquisada de policiais civis do Rio de Janeiro apresentam algum grau de sofrimento emocional e psíquico. Segundo a Dra. Dayse Miranda, coordenadora do GEPeSP e organizadora do livro “Por que Policiais se matam?”, as condições ruins de trabalho, o alto desgaste emocional da profissão, a insegurança, o baixo apoio social e o excesso de atribuições são alguns dos fatores que contribuem para o quadro negativo. Ela também alerta que policiais são internacionalmente considerados grupo de alto risco de morte por suicídio e que por volta dos 10 anos de serviço eles podem apresentar adoecimento emocional e se tornarem mais suscetíveis a desenvolver pensamentos suicidas. As informações da pesquisadora são resultados de análise desenvolvida pelo GEPeSP junto ao Departamento Geral de Recursos Humanos da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) e foram apresentadas em palestra na Coligação dos Policiais Civis (COLPOL), Centro do Rio, no dia 14/05.

O diretor da COLPOL Marcio Garcia comentou que “a preocupação com a saúde mental do policial civil é antiga. Já vínhamos chamando a atenção da mídia e das autoridades competentes para a questão”. Daniele Amar, coordenadora de psicologia do recém inaugurado Núcleo de Saúde Mental da PCERJ, ressaltou que “é muito importante debater o assunto. O policial civil sofre demais, seu dia a dia é de muita tensão. Além disso, são homens e mulheres que não são valorizados, não têm condições de trabalho e veem seus amigos morrerem”.

O agente Moacyr Alves, que passou por um quadro depressivo e viu amigos em sofrimento psicológico, disse que “os policiais estão sujeitos a isso mais que todo mundo. É necessário maior participação da corporação para amenizar o quadro”. Para o inspetor Claudio Pinheiro Gomes “é obrigação do Estado fornecer informação, mas ao invés disso, tem represália e a insegurança é grande. O tabu é enorme e muitas vezes a chefia pode boicotar quem busca ajuda”.

O GEPEsP promove o workshop “Negociação Com Suicidas. O Que Fazer? Como Fazer?”, destinado a profissionais de segurança, saúde e educação. Ele apresenta conhecimentos básicos de negociação para esses profissionais atuarem em situações de crise suicida. O próximo está marcado para os dias 14 e 15 de junho, no campus Maracanã da UERJ. Para inscrições ou mais informações, clique aqui.

O sofrimento emocional e psíquico e o suicídio de policiais é um campo de estudo do GEPEsP. Para melhor compreensão o quadro, desenvolvemos um guia de leitura. Clique aqui para saber mais.