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Programa piloto de prevenção ao suicídio em ambiente escolar é concluído em Duque de Caxias

Por Caio Brasil,
Jornalista e pesquisadora do GEPeSP.


O GEPeSP concluiu no dia 30 de maio o piloto do programa EscolaQPrevine, na Escola Municipal Roberto Weguelin de Abreu, em Jardim Imbarie, Duque de Caxias/RJ. O projeto atuou a partir dos conceitos de prevenção da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Centro de Valorização da Vida (CVV), e de posturas e práticas da metodologia educacional elaborada pela Associação de Saúde Emocional de Crianças (ASEC).

O programa experimental, iniciado em outubro, trabalhou com professores, funcionários e alunos temas relacionados aos resultados da pesquisa aplicada pelo GEPeSP, que traçou um diagnóstico da saúde emocional dos adolescentes na escola. A partir disso, foi promovida capacitação relacionada à educação emocional e ao desenvolvimento de habilidades, como a empatia, e foi oferecido conteúdo especializado, que permitiu a escola construir a sua própria ferramenta de prevenção à violência autoprovocada.

A Escola Municipal Roberto Weguelin de Abreu foi selecionada para receber o piloto por apresentar maior taxa de adesão da comunidade escolar e por ser uma das mais vulneráveis em termos de violência autoprovocada, de acordo com a pesquisa. Duque de Caxias é a segunda colocada no ranking de suicídios de jovens de 15 a 29 anos no estado do Rio de Janeiro, com 55 casos registrados entre 2000 e 2015, atrás apenas de Nova Iguaçu, com 64 suicídios, de acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. O encerramento do programa contou com a presença de representantes da Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias, professores, funcionários, estudantes e membros da equipe do GEPeSP.

Para a professora de inglês Marcele Oliveira, “a escola hoje tem uma nova visão sobre como temos que lidar com os alunos. Os professores hoje não são apenas para aplicar as matérias que lhes competem. São profissionais capazes de identificar como realmente seu aluno está, como ele se sente dentro de sala de aula. A escola tem hoje uma nova visão sobre como lidar com esses alunos em sala de aula e nos corredores”.

O orientador educacional Leandro Matias revelou ter ficado mais sensível após o projeto: “nosso olhar fica mais cuidadoso com relação aos comportamentos apresentados pelos alunos. A gente passa a tentar investigar as histórias por trás desses comportamentos para fazer a intervenção adequada. Percebemos que um ato de indisciplina pode ser sintoma de vulnerabilidade emocional. Precisamos tratar da causa e não do sintoma”. E completa dizendo que “o projeto reforçou a ideia de que ao professor não compete apenas ensinar os conteúdos conceituais tradicionais de suas disciplinas. Cabe a ele perceber o aluno como ser humano e olhar também para seu lado emocional”.

Paula Flor, mãe de estudante que participou do programa a escola, contou que “o projeto foi muito importante. Ele extraiu informações aqui, através das rodas de conversa e das oficinas, e tem aplicado em casa, no relacionamento comigo, e com os irmãos. Hoje ele me aconselha sobre a maneira correta de abordar o irmão quando está com algum conflito”.