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Boletim de Notificações de Mortes Violentas Intencionais e Tentativas de Suicídios

O Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção (GEPeSP) divulga o Boletim de Notificações de Mortes Violentas Intencionais e Tentativas de Suicídios entre Profissionais de Segurança Pública no Brasil. Os dados inéditos mostram que o número de suicídios entre agentes de segurança no Brasil mais que dobrou em 2018.

O GEPeSP monitora e sistematiza desde 2016 as notificações de mortes violentas intencionais (suicídio consumado, homicídio seguido por suicídio e as mortes por causa indeterminada), bem como as tentativas de suicídios entre profissionais de segurança pública. Os casos relatados envolvem profissionais da Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal de 19 unidades federativas brasileiras.

O estudo detecta aumento nos casos de suicídio entre profissionais de segurança pública relatados entre os anos 2017 e 2018. Uma novidade encontrada foi que o número de casos de homicídios seguidos por suicídios (H/S) informados cresceu em comparação ao ano de 2017. Em 2017, os casos relatados de H/S corresponderam a 8%, chegando a 16% em 2018.

Na Polícia Militar, os suicídios consumados e as tentativas de suicídio se destacaram. Na Polícia Civil, o homicídio seguido por suicídio (H/S) foi a categoria de análise que teve maior representatividade: dos 25% dos casos relatados envolvendo policiais civis são homicídios seguidos de suicídio. As mortes de policias civis por causa indeterminada correspondem a 12%, o terceiro maior percentual do total;

A maior parte das vítimas é do sexo masculino com a idade média de 39 anos e exerce funções operacionais nas quatro categorias de análise propostas. Nas Polícia Militar, 80% das vítimas de mortes por suicídios e tentativa de suicídio relatadas são praças. Na Polícia Civil, os cargos mais vulneráveis ao comportamento suicida são os inspetores de polícia. Entre os casos de H/S reportados ao GEPeSP, se destacam os investigadores de polícia. Os casos de H/S analisados tiveram 99% dos autores homens e 100% vítimas são mulheres e filhos. Apenas 1 mulher assassinou a sua própria filha e depois se matou.

Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro tiveram o maior quantitativo de notificações de mortes por suicídio consumado, homicídio seguido de suicídio – H/S e tentativas de suicídio informadas no ano de 2018. Porém, quando analisamos as taxas de suicídio entre policiais militares nas 19 unidades federativas do país, observamos que a Polícia Militar do estado de Alagoas se destaca com a maior taxa de mortes por suicídio em comparação as demais organizações policiais militares do país. Esse resultado se deve ao tamanho do efetivo das respectivas organizações. Esse dado nos ensina que precisamos analisar com cautela a magnitude das mortes por suicídio entre policiais, considerando a variação das taxas segundo o tamanho da população examinada.

O quinto achado é a arma de fogo como principal meio utilizado pelas vítimas nas quatro categorias de análise: suicídio consumado, tentativa de suicídio, homicídio seguidos de suicídio e morte por causa indeterminada. Esse dado evidencia que toda ação preventiva ao suicídio entre profissionais de segurança pública deve considerar o fácil acesso a arma de fogo como fator de risco.

Com relação situacional, vimos que das 53 mortes por suicídio informadas, metade aconteceu na residência das vítimas. Os casos de tentativa de suicídio seguiram o mesmo padrão. Um dado importante é que 15% do total de mortes por suicídio informados em 2018 ocorreram no trabalho. Esse percentual nos leva a problematizar a relação do suicídio e os fatores ocupacionais. Precisamos de estudos que nos permitam investigar o suicídio e o risco ocupacional.

No que concerne às motivações trazidas nas ocorrências e nos relatos de parentes e amigos das vítimas, vimos que para os casos de suicídio consumado e tentativa de suicídio, os problemas de saúde mental foram os mais citados. Já para os casos de H/S, os conflitos conjugais e o término de relacionamentos amorosos predominam. Esse dado confirma resultados de pesquisa de autores clássicos e contemporâneos da criminologia.

Confira aqui a versão completa do Boletim de Notificações de Mortes Violentas Intencionais e Tentativas de Suicídios.