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Concluído workshop sobre o que fazer diante de uma crise suicida


Por Kathlen Barbosa e Caio Brasil.
Jornalistas e pesquisadores do IPPES.


 

Foi finalizado na sede do IPPES o workshop “Crise suicida: o que fazer diante de uma pessoa que ameaça cometer suicídio?”. A capacitação, que aconteceu nos dias 4, 5 e 6 de março, foi destinada a profissionais de segurança privada e da área de saúde. A proposta era ensinar os participantes a identificar as características de uma crise suicida e orientar sobre os riscos e as possíveis ações para preservação da vida e saúde mental. O curso foi ministrado pelos colaboradores do instituto Alexandra Vicente, doutora em psicologia pela UFRJ e psicóloga do BOPE/PMERJ, e Edir Paixão, mestre em saúde pública pela UFC e Tenente-Coronel do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará, ambos especialistas em gerenciamento de crises e atendimento a tentativas de suicídio.

Segundo Edir, é importante que profissionais de segurança privada saibam fazer esse tipo de abordagem porque trabalham com atendimento do público geral, em locais como shoppings, por exemplo, onde há aglomeração de pessoas e possibilidade de tentativas de suicídio. “Quando esses profissionais são treinados para lidar com tais eventos, eles podem realizar uma primeira resposta ou evitar que se tomem atitudes de desafio, instigação, entre outras possibilidades de agravar a situação”, explica o tenente-coronel. No curso, esses profissionais são ensinados a manter o ambiente contido e isolado e a acionar as forças de segurança pública, para que elas façam a intervenção adequada e necessária. Além disso, aprendem a agir preventivamente, ao observar pessoas que dão sinais de crise suicida, abordando-as de forma adequada, com empatia e acolhimento.

Para a participante Maria das Graças Araújo, coordenadora regional do CVV Comunidades, esse é um conhecimento ao qual todos deveriam ter acesso. “Infelizmente o índice de suicídio no nosso país está muito alto e nós precisamos estar bem preparados”, destaca. “Gostei bastante do curso, achei o assunto muito pertinente e bem abordado. Eu trabalho com prevenção e foi muito bom ouvir sobre intervenção. Como funciona e como agir numa crise”, ressalta. O psicólogo psicanalista Alexandre Wagner conta que, para ele, a experiência foi desafiadora pelo fato de o tema ainda ser tratado como tabu na sociedade. “Mas, passada a primeira barreira, foi um trabalho de muito conhecimento e enriquecimento. Com tanta experiência e com os saberes que foram divididos, saio daqui uma pessoa melhor”, avalia. “E o curso também me despertou uma grande curiosidade de seguir investindo na área. Estamos sempre aprendendo, nunca vamos saber de tudo. Temos que ter essa flexibilidade de entender que o conhecimento do outro acrescenta sempre alguma coisa para o nosso”, completa.